
Amar é...
Há tempos que escuto uma famosa pergunta: O que é amar?De cada coração, de cada boca, de cada experiência escuto diferentes respostas. Creio que uma definição é o espelho da alma, da vida, e foi de um sonho que tirei minha conclusão... Como a prova final de uma tese, foi de um simples período de sono que descobri o que é amar. Explico-lhes. Amar não é algo que ainda me ocorreu. Porém, com curtos dezesseis anos de vida, já vejo os casais que juram amor eterno, fidelidade e ardente paixão... Mas sinceramente não creio que sejam muitos que estejam maduros o suficiente para entregar-se para tal sentimento. Talvez seja sua essência que me assuste, ou a responsabilidade enorme que esse sentimento trás me aflija... De qualquer forma, nunca me apaixonei, e por minha falta de experiência, pensei que jamais fosse capaz de conseguir definir "amor".Até hoje.Deitei minha cabeça no travesseiro para um típico sono da tarde, sem preocupações ou pensamentos turbulentos. Dormi no ato, algo tipicamente difícil de acontecer, visto que driblar minha insônia é um ligeiro desafio. É raro, também, lembrar de meus sonhos. Mas este me marcou de tal forma, que cada detalhe ficou impresso em minha mente como uma tinta permanente. E o que ocorria no sonho, é o que lhes conto em seguida.
Há tempos que escuto uma famosa pergunta: O que é amar?De cada coração, de cada boca, de cada experiência escuto diferentes respostas. Creio que uma definição é o espelho da alma, da vida, e foi de um sonho que tirei minha conclusão... Como a prova final de uma tese, foi de um simples período de sono que descobri o que é amar. Explico-lhes. Amar não é algo que ainda me ocorreu. Porém, com curtos dezesseis anos de vida, já vejo os casais que juram amor eterno, fidelidade e ardente paixão... Mas sinceramente não creio que sejam muitos que estejam maduros o suficiente para entregar-se para tal sentimento. Talvez seja sua essência que me assuste, ou a responsabilidade enorme que esse sentimento trás me aflija... De qualquer forma, nunca me apaixonei, e por minha falta de experiência, pensei que jamais fosse capaz de conseguir definir "amor".Até hoje.Deitei minha cabeça no travesseiro para um típico sono da tarde, sem preocupações ou pensamentos turbulentos. Dormi no ato, algo tipicamente difícil de acontecer, visto que driblar minha insônia é um ligeiro desafio. É raro, também, lembrar de meus sonhos. Mas este me marcou de tal forma, que cada detalhe ficou impresso em minha mente como uma tinta permanente. E o que ocorria no sonho, é o que lhes conto em seguida.
-De uma clara cama, coberta por lençóis brancos e uma colcha azul clara, acordava uma menina. A menina era morena, tinha cabelos ondulados e olhos castanhos, aparentava ter 18 ou 19 anos. Seu nariz era pequeno e arrebitado, coberto por sardas leves. Ela acordava com olhos pesados, e um pesado semblante. Levantou-se da cama, trocou sua camisola por uma calça jeans e um casaco, escovou seus dentes, jogou alguns objetos em uma bolsa e saiu do seu quarto, prendendo os cabelos em um rabo de cavalo bagunçado. Meus olhos de observadora acompanhavam-na, enquanto ela saia de sua casa e entrava em seu simples carro preto e dirigia com o mesmo olhar vazio e triste que a marcava desde que acordou. Ela dirigiu até chegar a um hospital, estacionou na rua e entrou na construção. Foi lhe dado um crachá de visitante pela recepcionista, e ela dirigiu-se até o elevador. Quando as portas se fecharam, ela suspirou fortemente, apertou seus olhos e tentou mudar sua expressão, aliviando a tensão em sua testa e colocando um leve sorriso em seus lábios. Mas seus olhos, belíssimos olhos castanhos, ainda carregavam uma tristeza imensa. Saiu do elevador e se dirigiu até um quarto, bateu na porta e entrou. Ali dentro estava, em uma cama e presa em vários fios vindos de grandes aparelhos, estava uma garotinha. Ela era morena, tinha cabelos lisos, e aproximadamente seis anos. Seu rosto era pálido, tão branco que era possível ver leves veias violetas próximo aos seus olhos, e ela tinha olheiras extremamente escuras. Sua cabeça era enrolada por uma faixa, assim como um de seus braços. A garota mais velha dirigiu-se até ela, sentou-se ao seu lado e ficou observando o frágil rosto da menina. A menina acordou, virou sua cabeça e observou a visitante.- Bom dia, Megan – a frágil menina disse, com uma voz dócil, porém fraca e sussurrada.- Bom dia, Sophie... – a garota mais velha movia seus lábios com dificuldade, formando um sorriso – trouxe um presente para você.
Remexeu em sua grande bolsa e retirou um elefante roxo de pelúcia, e colocou na barriga de Sophie. - Obrigada, Meg... Eu adorei, mas já lhe disse que não preciso de mais presentes, mal vejo as paredes do quarto.- Eu sei, eu sei, mas o Brandon foi abastecer o carro e quando ele o viu na loja do posto não pode resistir... Insistiu para que eu o trouxesse, e lhe mandou um beijo. - Agradeça a ele, diga que assim que eu melhorar poderemos ir ao parque de novo, estou com saudades de comer pipoca doce... Você tem muita sorte de ter um namorado como ele, sabe Meg? Você devia passar mais tempo com ele e menos aqui comigo.- Jamais, você é minha irmãzinha, eu devo ficar aqui com você. Aliás, não me incomodo, sinto sua falta. Mamãe volta de viagem amanhã, ela antecipou a passagem para vê-la.- Ela não deveria, logo estarei melhor... Ainda sinto dor nas costelas, mas eu sei que logo sairei daqui. Eu prometo.- Não se apresse, você tem que se recuperar completamente antes, está certo?- Está bem...As duas garotas passaram algum tempo conversando, mas logo Sophie cansou-se e a enfermeira recomendou que ela dormisse um pouco. Megan deitou-se no sofá ao lado da cama e dormiu assim que notou que Sophie pegou no sono assistindo o desenho que passava na pequena TV do quarto. Alguns minutos passaram, e Megan acordou com a voz de sua irmã chamando seu nome.- Megan... Meg... Não... Consigo...Em seguida, um dos equipamentos do quarto começou a disparar um alarme agudo. Megan levantou-se e correu até a porta, gritando por ajuda. Várias enfermeiras e médicos foram até o quarto, e Megan correu para segurar a mão de Sophie. O elefantinho de pelúcia foi jogado no chão, abrindo espaço para a equipe médica. Seu corpo foi puxado por uma enfermeira, que repetia “Senhora, afaste-se!”. Megan entrou em desespero. Ela escutava exclamações como “Parada respiratória”, “Intubação orotraqueal, agora!” e via os movimentos rápidos no corpo de Sophie. Ela tentava se aproximar, mas a enfermeira segurava-a.
- Deixe-me ajudá-la, por favor, por favor! – Ela implorava, seus olhos cobertos de lágrimas.- Senhora, acalme-se, os médicos vão cuidar disso.Mas o alarme continuava tocando fortemente, cada bipe deixava-a mais aflita.- Sophie, aguente firme, por favor! Estou aqui, aguenta firme! Não me deixe, Soph!O auge de seu desespero chegou quando um dos médicos anunciou “Parada cardíaca” e lhe foi entregue o desfibrilador. Ele dava choques no peito de Sophie, e Megan mal enxergava sua irmã de tantas lágrimas, que deixavam sua visão borrada. Ela apertou suas mãos fortemente. Não era religiosa, mas de certa forma acreditava em Deus, e pôs-se a suplicar em silêncio. “Não leve-a, eu imploro, não leve-a!”. Ela mordia seu lábio inferior fortemente, o sofrimento tomava conta dela. Os médicos ordenavam coisas, mas Megan já não os ouvia, seus olhos apenas no rosto de Sophie. Mais do que nunca, sua irmã parecia ser feita de porcelana. Uma boneca de porcelana fortemente violada por tubos, fios, choques. Perdeu a noção de tempo. Para ela parecia uma eternidade, mas quanto tempo realmente havia se passado? Ela olhou para a enfermeira que segurava-a, e fitou seu relógio. Como se a enfermeira soubesse os pensamentos de Megan, lhe respondeu: “Já se passaram 10 minutos, mas mantenha as esperanças, ainda podemos salvá-la”. Megan soluçava. Olhava para Sophie, para o relógio, e os minutos se passavam lentamente.A equipe médica continuava a trabalhar com o corpo de Sophie, até mesmo quando um dos médicos virou-se e aproximou-se de Megan. - Já faz muito tempo, creio que não vamos recuperá-la, e a parada respiratória foi muito longa... Não dá para calcular o dano cerebral. Creio que você deve se despedir de Sophie.As palavras do médico foram mais que um impacto. Era como um chute na realidade de Megan. Ela caminhou até a irmã, a equipe médica abriu-lhe certo espaço, e ela segurou a frágil mão de sua irmã. Ela não queria que sua irmã se fosse. Ela tinha apenas seis anos! Sua mãe não estava ali para se despedir...
Mas ela olhou para o frágil rosto de Sophie, tão jovem e tão sofrido, passou a mão em seus finos cabelos, tomando cuidado com o ferimento coberto pela faixa. Com uma tremenda dor em seu peito, ela foi capaz de soltar algumas palavras.- Está tudo bem, Sophie, você pode ir. Eu te amo, mamãe também, você vai ser sempre a nossa princesinha... Pode ir em paz, pequena.As lágrimas no rosto de Megan já eram algo incontrolável, elas apenas corriam como um rio sem rumo. Ela beijou a mão de sua irmã e se afastou, observando os últimos movimentos dos médicos, e o alarme ficar cada vez mais lento até virar um bipe uniforme. Um dos médicos olhou em seu relógio, e afirmou tristemente “Horário de morte, 10h14”.
Com essas palavras em meu sonho, acordei. Eu sentia meu peito acelerado, e algumas lágrimas em meu rosto. Após um copo de água com açúcar e alguns minutos necessários para me acalmar, parei para refletir... O que, de fato, é amar? É usar uma aliança, falar repetidamente “eu te amo”, comprar vários presentes e passar todo o tempo possível com quem amamos? Não, isso não é amar, isso é conseqüência. Amar é saber que cada um tem seu caminho, queira que ele nos inclua ou não. Amar é saber se desapegar quando é preciso, é deixar o egoísmo de lado. Amar é respeitar uma pessoa o suficiente para deixá-la partir. -
ps: Este texto não é de minha autoria.

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